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Poesias

ESCADAS
Mário Quintana
01/07/2010

 

Escadas de caracol

Sempre

São misteriosas; conturbam...

Quando as desce, a gente

Se desparafusa...

Quando a gente as sobe

Se parafusa

– o peito

estreito –

o teto descendo

Descendo descendo como nas histórias de imortal horror !

Mas de que jeito,

Mas como pode ser.

Morrer cair rolar por uma escada de parafuso ?

Além disso não têm, pelo dizem nenhuma acústica...

Oh ! Não há como as escadarias daqueles antigos

edifícios públicos

Para ser assassinado...

Porém não fiques tão eufórico,

– nem tudo são rosas:

Há,

No sonho das velhas casas de cômodos onde moras,

Passos que vêm subindo degrau por degrau em

direção ao teu quarto

E 'sabes' que é um fantasma chamejante e fosfóreo

– o corpo todo feito de inconsumíveis labaredas verdes !

O melhor

Mesmo

É fechar os olhos

E pensar numa outra coisa...

Pensa, pensa

– o quanto antes !

Naquelas podres escadas de madeira das casas pobres

– escurinho dos teus primeiros aconchegos...

Pensa em cascatas de risos

Escada a baixo

De crianças deixando a escola...

Pensa na escada do poema

Que tu

comigo

vem descendo

agora...

(Hoje em dia todas as escadas são para descer)

Mas não ! Este poema não é

Nenhum

Abrigo

Antiaéreo...

Ah, tu querias que eu te embalasse !?

Eu estava, apenas, explorando uns abismos...

Escada helicoidal do Museu do Vaticano, projetada por Giuseppe Momo, em 1932.

Crédito: Antonio Henrique in http://picasaweb.google.com.
Escada helicoidal do Museu do Vaticano, projetada por Giuseppe Momo, em 1932.

Crédito: Antonio Henrique in http://picasaweb.google.com.

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